Medicina oral

A Medicina Oral é a área da medicina dentária que se ocupa do tratamento não cirúrgico da patologia dos tecidos moles e duros da cavidade oral, bem como do diagnóstico precoce das lesões potencialmente malignas e do cancro oral. É ainda responsável pelo diagnóstico e tratamento das lesões orais associadas a patologia sistémica (como anemias, doença crónica intestinal, doenças dermatológicas).

Patologia mais frequentes em medicina oral:

  • Úlceras orais recorrentes (aftas)
  • Candidíase oral
  • Infecções virais (herpes)
  • Líquen plano oral
  • Xerostomia (sensação de boca seca)
  • Leucoplasia e outras lesões potencialmente malignas
  • Cancro oral
  • Osteonecrose dos maxilares associada à toma de bisfosfonatos
  • Síndrome da boca ardente/queimada

Exemplos de patologia sistémica com possível envolvimento da cavidade oral:

  • Anemia e outras doenças de sangue (ex.: leucemias)
  • Doença crónica inflamatória intestinal (Doença de Crohn, colite ulcerosa e doença celíaca)
  • Doenças auto-imunes (lúpus, artrite reumatóide, pênfigo, penfigoide, cirrose biliar primária, etc.)
  • Manifestações orais das reacções secundárias ao uso de medicamentos
  • Tratamento das complicações orais do tratamento do cancro (radioterapia, quimioterapia)
Estética

1 - É verdade que as restaurações de "massa escura" podem ser substituídas por materiais iguais ao dente natural sem que este fique enfraquecido?

R: Sim. De facto hoje em dia podemos substituir essas restaurações com materiais que simulam na perfeição a anatomia e cor dos dentes naturais, e sem que isto prejudique a longevidade desses dentes.

2 - Porque é que a minhas coroas (pivots) estão escuras junto à gengiva? É possível resolver este problema?

R: A explicação para esse problema prende-se normalmente com o facto de essas coroas serem confeccionadas em metal-cerâmica. O metal utilizado poderá ter sofrido corrosão ou a raiz ter ficado exposta ao longo do tempo. A solução será a substituição por coroas totalmente cerâmicas sem metal ou utilizar ligas metálicas resistentes à corrosão

3 - Qual é a diferença entre uma coroa e uma faceta de cerâmica?

R: Uma coroa em cerâmica recobre totalmente o dente a restaurar, e necessita que o dente seja desgastado previamente para que a coroa tenha uma espessura aceitável, do ponto de vista estético e funcional. É a melhor solução no caso de dentes escurecidos ou muito destruídos e desvitalizados. A faceta de cerâmica recobre apenas parcialmente o dente a restaurar pois a zona posterior não visível do dente não será recoberta com a cerâmica. Como exige um desgaste muito menor comparativamente às coroas , é a solução ideal em casos de alterações leves ou moderadas dos dentes a tratar.

4 - O que é o compósito?

R: O compósito ou resina composta é um material composto por um polímero e partículas de cerâmica que se utiliza para restaurar o dente com cárie ou fracturas de forma directa em boca, ou seja, permite devolver ao dente a forma e função correctas de uma maneira simples e económica. O material é aplicado e modelado e é endurecido através uma luz azul que inicia a sua polimerização.

5 - Quanto podem durar as minhas restaurações em compósito? E as de cerâmica?

R: As restaurações em compósito podem durar sem qualquer problema até 10 anos, isto se o paciente não for fumador nem adepto de bebidas ou alimentos que possam pigmentar este material (coca-cola, café, vinho tinto, beringela,etc) ,o que poderá reduzir a durabilidade estética das restaurações. As restaurações em cerâmica apresentam uma longevidade média de 15 anos, que poderá ser superior se o pacien te não sofrer alterações na sua dentição que tornem as restaurações inadequadas.

6 - Será que o branqueamento faz mal aos meus dentes?

R: Um branqueamento, independentemente da técnica utilizada pelo Médico Dentista, não vai danificar a dentição em nenhum aspecto. O maior incoveniente que poderá ocorrer, e apenas durante o tempo de tratamento e nunca após o término deste, é a presença de sensibilidade aumentada nos dentes por estímulos térmicos (alimentos frios ou quentes).

7 - Como posso saber qual o possível resultado de um tratamento estético nos meus dentes?

R: A melhor forma de poder observar qual o possível efeito de um tratamento estético na dentição é pedir ao seu Médico Dentista que elabore um enceramento de diagnóstico e um Mock-up para que o paciente se possa ver com um esboço do possível resultado final. O enceramento consiste em modificar a réplica dos dentes do paciente num modelo de gesso e o Mock-up é a reprodução dessa modificação directamente na dentição do paciente, acrescentando uma restauração sobre a dentição sem NUNCA desgastar os dentes nem colar a restauração. O paciente poderá remover e colocar em casa e avaliar o efeito da modificação proposta.

Periodontologia

1 - Quais são as doenças das gengivas?

R: A gengivite e a periodontite são os principais exemplos destas patologias.

Afectam o periodonto (gengiva, osso e ligamento que une o dente ao osso dos maxilares). Estas doenças, quando não tratadas terminam com a perda dentária e consequente limitação funcional dos pacientes.

2 - Gengivite?

R: É uma inflamação da gengiva sem perda do osso alveolar. Tem como sintomas o sangramento, edema, a cor vermelha e é o primeiro passo para a perda dos tecidos que rodeiam o dente e o unem os osso.

3 - Periodontite?

R: Antigamente chamada de Piorrea, está caracterizada pela perda do periodonto e quando não tratada termina com a perda dentária. Clinicamente manifesta-se pela presença dos sinais de gengivite mas com perda de osso e a formação de bolsas onde se alojam as bactérias que provocam a doença. O paciente sente que os dentes se movem, ficam descarnados, aumentam a sua sensibilidade ao frio e aumentam os espaços entre os dentes.

4 - São muito frequentes estas patologias?

R: A gengivite afecta cerca de 75% dos jovens e a Periodontite cerca de 50% dos adultos.

5 - E podem ser tratadas?

R: Ambas podem ser tratadas. A gengivite de uma forma mais fácil e sem deixar repercussões a nível da perda de osso.

A periodontite, por já ter perda de osso pode ser tratada mas ficam já alguns sinais da doença difíceis de reverter.

Ambas podem e devem ser tratadas e quanto antes melhor.

6 - Como se faz o tratamento?

R: Em termos gerais seguindo o esquema:

- Higiene oral adequada

- Alisamento radicular

- Tratamento antibiótico, ocasionalmente

- Cirurgia periodontal

7 - O mau hálito pode ter origem na piorrea?

R: Efectivamente tal pode acontecer. Não é a única causa, no entanto é uma das causas do mau hálito. Uma vez tratada a doença, o mau hálito desaparece de forma eficaz e para sempre.

Implantes

1 - O que são os implantes dentários?

R: São raízes artificiais de titânio que podem conviver de forma sã com os tecidos ósseo e gengivais e que serviram de suporte dos dentes ausentes.

Os implantes permitem substituir os dentes perdidos, seja por cáries ou por doenças periodontais, indepdentemente do numero de dentes perdidos. Permitem, assim substituir um dente, vários dentes ou todos os dentes.

2 - Em que consiste o tratamento?

R: O tratamento deve ser adequado a cada caso clínico. No entanto, em termos gerais podemos dizer que inclui habitualmente 4 fases: estudo e planificação, fase cirúrgica, fase restauradora, e fase de tratamento de suporte.

3 - Posso colocar um implante logo após a extracção de um dente?

R: Em algumas situações tal é possível, no entanto dependerá de vários factores como por exemplo a existência de infecção no dente a extrair e a quantidade de osso presente.

4 - E posso colocar a prótese, seja ela de um dente, vários ou todos os dentes no mesmo dia da cirurgia?

R: Actualmente esse procedimento, designado por carga imediata pode ser realizado em situações bem específicas. Cada caso deverá ser devidamente estudado para conseguir alcançar os mesmos resultados de êxito dos retratados na literatura e sem nenhum prejuízo do paciente.

5 - E os implantes, duram para toda a vida?

R: Assim, como os dentes exigem da parte do paciente consultas regulares de revisão, onde os profissionais de saúde oral devem prevenir o aparecimento de problemas. O seguimento de programas de higiene oral repetidos e adequados a cada pacientes permitem manter os implantes sem qualquer problema futuro.

Endodontia

Em quantas sessões se faz um tratamento endodôntico? 

Quando a polpa é viva e sem inflamação, uma sessão é suficiente; polpa viva e inflamada, 2 sessões. Com polpa mortificada, são necessárias mais sessões.

O tratamento Endodôntico é doloroso?

O tratamento completamente indolor.

Um dente já desvitalizado pode ser novamente tratado? Em que casos isso é necessário?

Sim, geralmente quando, no primeiro tratamento, não foi possível seguir todos os padrões exigidos: limpeza (remoção de todos os microorganismos e tecido pulpar ), preenchimento tridimensional dos canais com o material de obturação, quando ficaram canais por tratar, etc. Essas e outras situações podem levar ao fracasso do tratamento e levar a infecções.

Este tratamento é completamente eficiente?

Sim, desde que bem executado e que o dente seja posteriormente bem reabilitado (restauração, coroa, etc)

A desvitalização escurece o dente?

Não. Com as técnicas actuais não há qualquer razão para o escurecimento do dente

Ortodontia

"Os aparelhos estão na moda!"

A Ortodontia, especialidade reconhecida pela Ordem dos Médicos Dentistas, visa o tratamento da má oclusão e da deformidade dentofacial.

Entende-se por má oclusão, qualquer alteração do aparelho estomatognático, que não permita um encaixe perfeito entre os dentes, assim como uma articulação ideal entre a maxila e a mandíbula.

 Os avanços académicos e tecnológicos permitiram o desenvolvimento da Ortodontia, assim como, o aumento de Médicos Dentistas a implementá-la na sua prática clínica. Por sua vez, a divulgação desta vertente da Medicina Dentária progrediu e consequentemente, o aumento de informação motivou e sensibilizou os pacientes na procura destes tratamentos:

- as crianças, por recomendação médica ou por preocupação dos pais;

- os adultos, por recomendação médica ou para reabilitação oral.

 

Com que idade se deve fazer a primeira consulta com o Ortodontista?

Idealmente, a primeira consulta com o Ortodontista deve ser, por volta dos 7 anos de idade, altura em que já começaram a surgir os primeiros dentes definitivos. Nesta idade, o objetivo da consulta passa por uma avaliação e estudo do crescimento da face. A grande maioria dos destes tratamentos ortodonticos tem um caráter ortopédico, no sentido de promover um crescimento harmonioso dos maxilares, minimizando as alterações das posições dos dentes já existentes e permitindo a erupção dos restantes em posições mais favoráveis.

 

Há limite de idade para a consulta de Ortodontia?

Não.

Quais são os motivos mais frequentes que levam as crianças a consultarem o Ortodontista?

- Alterações provocadas pelo uso da chupeta e sucção do dedo.

- Dentes "encavalitados".

- Dentes projetados para a frente.

- Espaços entre os dentes da frente.

 

Quais são os motivos mais frequentes que levam os adultos a consultarem o Ortodontista?

        Ausência ou perda de dentes naturais.

- Problemas nas gengivas e restantes tecidos de suporte dos dentes.

- Gestão de espaço para colocação de implantes dentários.

- Desgaste dentário.

- Problemas nas articulações dos maxilares.

 

O que é a Ortodontia Interceptiva?

A Ortodontia Interceptiva é a área da Ortodontia cujos tratamentos são de cariz ortopédico, para favorecer o crescimento harmonioso dos maxilares. Estes tratamentos realizam-se, aproximadamente, entre os 7 e os 10 anos de idade.

Podem os adultos fazer tratamentos ortopédicos?

Podem. Mas na idade adulta, após a maturação dos ossos quando já não há crescimento, os tratamentos ortopédicos só podem ser realizados com a intervenção da Cirurgia Maxilo-facial concomitantemente com a Ortodontia.

Os casos de deformidade dentofacial são os casos onde há necessidade de tratamento ortodôntico cirúrgico ortognático.

 Que tipos de aparelhos existem?

 Os aparelhos utilizados na Ortodontia podem-se dividir em dois grupos:

- os aparelhos ortopédicos;

- os aparelhos ortodônticos.

Os aparelhos ortopédicos, são utilizados para corrigir alterações de tamanho e posição dos maxilares, assim como, potenciar o crescimento ideal dos maxilares.

Os aparelhos ortodônticos são aparelhos para corrigir a posição dos dentes, e estes podem ser constituídos por brackets ou séries de alinhadores dentários.

 Quando é que se colocam os aparelhos ortodônticos?

Os aparelhos ortodônticos colocam-se quando urge estabelecer o encaixe entre os dentes de cima e os dentes de baixo, promovendo uma oclusão funcional.

As exigências sociais e o constate apelo ao "belo" tornam a estética principal motivo da consulta de Ortodontia. Na grande maioria dos casos a necessidade de tratamento ortodôntico advém de modificações, que, quando corrigidas, estabelecem a articulação entre os maxilares e os dentes, promovendo a estabilidade no tempo de um equilíbrio funcional, biológico e estético.